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Sonhos Canhotos

janeiro 11, 2010

Norte do Peru. O swell certo em picos como Organos, Mancora, El Hueco, Lobitos, Cabo Blanco, Sentinela, entre outros, pode compensar uma vida inteira de tédio.

Esquerdas tubulares e perfeitas oferecem surf ‘nível A’ durante boa parte do ano. O tubo enrosca, joga o teto e roda como nos filmes e revistas de surf.

Em 2005, quando viajei para o país com o free surfer Cleber Calejon, meu primo e parceiro nas trips, chegamos em Lima e logo fomos recebidos por um amigo peruano. Depois de surfarmos ondas com cerca de 6 pés em Senhoritas, Punta Hermosa, embarcamos, ainda molhados, em um ônibus que nos levaria ao norte do Peru. Dezoito horas depois estávamos em Mancora e descobrimos que as ondas “estavam gringas até ontem”. Para o nosso azar, o swell tinha acabado.

Esperamos mais dois dias em vão. O mar permaneceu amargamente flat. Decidimos então conhecer Lobitos, pico relativamente complicado de encontrar. Fomos levados até o local por outro amigo peruano e quando avistamos a onda ficamos deslumbrados com a perfeição dos 4 pés que dobravam sobre o fundo de pedra. Surfamos algumas ondas excelentes, quando alguns locais iniciaram uma competição de bodyboard. Nosso guia e amigo peruano disse que poderíamos surfar mesmo com a competição rolando.

Peguei uma boa onda no pico e acelerei forte para ser rabeado por um bodyboarder que tentava avançar na bateria. Perdi o ritmo da onda e fui ignorado. Quando voltei para o fundo, nosso amigo disse: “Deixem eles surfarem as ondas que quiserem. Peguem somente as que sobrarem”.

Concordei imediatamente e me desculpei. Segundos depois, outro bodyboarder desceu uma das melhores ondas do dia e veio acelerando, com a locução do evento narrando e tudo. Meu amigo local simplesmente virou o bico para a areia e desceu a onda. Para meu espanto, o bodyboarder não reclamou. Pensei: “Meu Deus, se é no Brasil seria a maior confusão!”.

Existe crowd e até bastante localismo em águas peruanas, principalmente em picos como Herradura e Cabo Blanco, mas, considerando a quantidade de brasileiros que surfam ali, até que os peruanos praticam muito bem a filosofia do havaiano Eddie Aikau: Muita gente na água e pouca onda. Aí, entra o espírito Aloha. Não vejo a hora de encontrar com aqueles sonhos canhotos novamente. Desta vez sem competição de bodyboarder, apesar de todo o Aloha.