Posts Tagged ‘Kardec’

Os 7 planos

junho 14, 2010

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec destaca dois tipos de evolução espiritual: a científica e a moral. Ele afirma que existem outras, mas que estas duas são as principais e que requerem mais atenção. A primeira é basicamente aquilo que você sabe, ou seja, o conhecimento acumulado durante a sua jornada através dos séculos. A segunda é o que você faz com o que sabe. A forma como você aplica o seu conhecimento.

Neste mesmo livro, Kardec diz que a Terra está longe da perfeição em ambas e que não devemos nos preocupar em mensurar ou julgar a evolução alheia, mas que em termos morais somos recém-nascidos. Ele comenta que o “caminho para a perfeição moral e científica é quase infinito”, dada a extensão de toda a bagagem que devemos adquirir e o caráter de como devemos aplicá-la, mas “possui um fim, a última morada dos espíritos”. A “fusão com a Alma Divina”.

A estrada que percorremos rumo a este objetivo, nos textos de praticamente todas as religiões do mundo – budista, hindu, cristã, tibetana, muçulmana, egípcia, entre outras, é composta por seis planos mais elevados, além do nosso mundo material: o etéreo, o astral, o mental, o espiritual, o cósmico e o nirvânico. Deste conceito surgiu a idéia do “Sétimo Céu”.

O psicólogo Brian Weiss relata que tratou de pacientes que descreveram com riqueza de detalhes cerca de até 86 vidas na Terra, isso é, dezenas de existências somente no plano físico. Kardec também garante que o espírito nunca regride em evolução, esta é uma máxima do espiritismo. Podemos evoluir ou estagnar, dependendo do uso que fazemos das nossas escolhas, mas nunca regredir, simplesmente porque a inteligência não retrocede.

Parece que a jornada é realmente muito longa, e nós estamos apenas na primeira etapa do começo, perdidos e deslumbrados com fama, status e todo o tipo de banalidades, de Sex and the City (perdão se você adora) ao Big Brother,  achando que somos os “seres dominantes deste planeta, no topo da cadeia alimentar”.  Não importa, como eu disse em outro post, acredito que não é o tempo que está em jogo. Temos uma longa, longa estrada pela frente…

“RUN ON CHILDREN, FOR A LONG LONG TIME…”, Run On, by Moby!

A lição de Byron Bay

janeiro 6, 2010

Austrália, novembro do ano 2000. Eu tinha 21 anos e, após receber a oportunidade de estudar inglês na East Coast College of English, na cidade de Brisbane, fui conhecer as praias da cidade de Byron Bay.

Cheguei em Tallow Beach por volta de 8h da manhã e as ondas não estavam grandes: entre 1 e 1.5 m de altura na face, o que não representa um grande desafio para quem realmente tem alguma instrução no surfe. Cai na água e remei até o fundo, quando percebi que a coisa não era exatamente como eu pensava. Apesar das ondas não estarem grandes, a correnteza naquele dia formava verdadeiras “ruas de água”. Eu fiquei assustado com aquele volume de água se movendo paralelamente às pedras e decidi sair. Tentei pegar uma onda, cai e o meu leash (a cordinha que prende a prancha à canela do surfista) estourou. Durante os primeiros 15 segundos nadando naquele pedaço de mar esquecido pelo mundo eu sentia que estava em sérios apuros. É curioso, porque eu já passei por outras situações no mar, mas nunca me senti tão intimidado como nesta ocasião.

Resumindo, nadei por quase 4 horas (eu estava usando um relógio da Rip Curl que tenho até hoje), durante toda a manhã, para não ser arrastado e ficar à deriva no meio do Pacífico. Durante todo este tempo, não havia uma única pessoa no mar ou mesmo na praia. Fiquei cada vez mais desesperado, ao ponto de chorar, pedir socorro, reclamar e sentir ódio de mim mesmo por estar naquela situação. Surfe sempre foi grande parte de quem eu sou, mas naquela ocasião eu me sentia tão estúpido por sentir que eu iria morrer ali. Eu estava com frio, pensava na minha mãe e na minha namorada, que eu amava perdidamente na época. Pensava em como esta notícia chegaria para elas, e em como eu não queria morrer com frio, com aquela saudade delas no peito e sozinho. Finalmente, um barco de resgate me retirou do mar e eu não morri, pelo contrário, eu ainda não sabia, mas aquela experiência mudaria toda a minha vida…

Voltei à casa onde eu estava hospedado e decidi não contar o episódio para minha mãe e namorada. Na verdade decidi não falar em absoluto sobre o ocorrido, pois elas ficariam preocupadas e tudo tinha acabado bem. Eu poderia contar quando voltasse. Resolvi ligar para a minha namorada decidido a não comentar o assunto. A conversa foi exatamente como transcrita abaixo:

– Alô?
– Quem é?
– Oi Re, sou eu.
– (Ela sequer disse alô) Eu acabei de ter um sonho muito ruim, no qual você estava nadando em um lugar gelado, com medo de morrer e…..

Eu fiquei em choque, pois ela não teria como saber. Eu não tinha dito para absolutamente ninguém. Fiquei mudo, enquanto ela descrevia com riqueza de detalhes não somente o lugar, as pedras, a geografia etc etc, mas como eu me sentia: Com medo, frio e com aquela saudade esmagadora dentro do peito. Bom, voltei ao Brasil 3 meses depois disso e ela tinha conhecido outro homem, com o qual ela iria se casar.

Eu não consigo explicar com palavras a dor que eu senti naquela ocasião. Nenhum tipo de dor física que eu já senti passa sequer perto daquilo. Toda esta dor, o sentimento de perda, a saudade física que eu senti da posição que ela colocava a cabeça no meu peito para dormir etc e a experiência de Byron Bay abriram a minha cabeça para um universo novo de possibilidades. Eu não entendia por que eu tinha que enfrentar aquela dor e comecei a pesquisar, procurando por alternativas que me oferecessem respostas.

Durante este processo, encontrei as obras de Allan Kardec, cujo trabalho, principalmente O Livro dos Espíritos, me ajudou de forma ímpar a entender e aceitar aquele desafio e outros que vieram posteriormente. Hoje eu entendo que aquela situação, que na época me parecia absurda e envolvia muito mais dor do que eu gostaria de lidar, foi totalmente necessária para que eu pudesse abrir a minha cabeça para novas idéias, que em última análise mudaram completamente a minha vida. Esta foi a grande lição que Byron Bay me ensinou e eu sou grato pela chance que recebi de crescer.

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