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Fôlego – Onda Magazine #3 POR CHRIS DEQUEKER

outubro 15, 2011

A respiração, a preparação física e o controle mental

Nas duas primeiras edições da Onda Magazine, a coluna Fôlego abordou os fundamentos da apneia e do sistema respiratório humano. Desta vez vamos explicar o método, os níveis, considerando a carga horária e a descrição de cada etapa do treinamento, e enfatizar o estágio EXTREMO, que reforça, além da parte física, a preparação mental.

O método, que é conhecido como Método de Simulação da Realidade (MSR), visa desenvolver a preparação física e mental dos surfistas, desde o iniciante até o profissional, para maximizar o desempenho e a eficácia dos resultados em competições, viagens internacionais ou somente naquele free surf nos fins de semana. Configurado semanalmente com base na análise da previsão das ondas, o conceito usa três pilares: SEGURANÇA, RENDIMENTO E ECONOMIA.

O treinamento utiliza exercícios físicos funcionais combinados com a apneia. São flexões de braço, agachamentos, corrida e muita remada para elevar a frequência cardíaca e administrá-la durante os períodos de imersão. Contudo, cada aspecto pode ser dosado. Portanto, pessoas comuns e saudáveis podem praticar sem qualquer restrição.

São quatro níveis:

Iniciante

Neste estágio, o praticante possui até 34 horas de instrução no treinamento. Geralmente, exercícios leves e moderados são combinados com percursos que cobrem entre 12 e 15 metros de imersão usando uma nadadeira adequada. Ideal para quem deseja surfar ondas com 2 metros de altura na face ou praticar corridas de 10 quilômetros, como também realizar traking em baixa altitude (3 mil metros), por exemplo.

Intermediário

Aqui o praticante possui entre 34 e 72 horas de instrução e o treinamento começa a usar exercícios mais pesados. A distância percorrida embaixo d’água varia entre 25 e 50 metros utilizando a nadadeira. Perfeito para quem deseja encarar ondas que variam entre 2 e 3 metros de altura na face, corridas de até 20 quilômetros, para mergulhadores técnicos (até 50 metros de profundidade) e traking no campo base do Aconcágua (cerca de 5 mil metros de altitude).

Avançado

Praticantes que possuem entre 72 e 150 horas de treino. Neste estágio, os exercícios físicos são intensos e o trajeto de imersão com a nadadeira geralmente varia entre 50 e 75 metros. Praticantes com este nível de experiência normalmente estão preparados para surfar ondas com até 4 metros de altura na face e corridas acima de 20 quilômetros, mas a essa altura a questão da preparação mental, que na verdade existe em todos os níveis, requer mais ênfase. Este nível prepara atletas que pretendem atacar cumes entre 5,5 mil e 7 mil metros e mergulhadores profissionais de pesca, por exemplo.

Extremo

Para atingir este estágio o praticante necessita de pelo menos 150 horas de instrução no treinamento. Esta fase usa exercícios físicos absolutamente rígidos e o percurso de imersão com a nadadeira ultrapassa os 75 metros. Ondas acima de 4 metros e maratonas com 42 quilômetros são as metas neste nível, por exemplo. Recomendado para surfistas, alpinistas experientes (cumes acima de 7 mil metros), ultramaratonistas, jogadores de futebol, lutadores de MMA e muitos outros esportistas que dependem do fôlego para sobreviver, este nível exige e trabalha fortemente a preparação mental do atleta. Experimentar o estresse e a acidez gerada pela oxidação celular no organismo e ser capaz de administrar a urgência de respirar por minutos requer muito trabalho, mas oferece incrementos fisiológicos e mentais incríveis.

DICAS

O que fazer:

Observe o padrão da sua respiração antes e durante as quedas. Existem padrões específicos para cada situação, como antes de entrar no mar, durante a remada, antes de furar a onda e para explodir na remada (veja o vídeo no site da Onda Magazine). Além da sua respiração, preste atenção ao seu humor e às reações fisiológicas do corpo enquanto se prepara para a sessão: frequência cardíaca, percepção de tempo, funcionamento dos sentidos, flexibilidade e articulações.

O que não fazer: 

Não entre no mar com a frequência cardíaca muito elevada (por exagero no aquecimento). Vários fatores, como a perfeição e o tamanho das ondas, podem aumentar muito os batimentos do coração e causar a debilidade precoce do organismo, o que pode ser percebido somente quando você já está no mar tentando varar as ondas. Acalme-se antes da sessão. Ainda que esta não seja uma tarefa fácil, ficar mais calmo na areia pode fazer a diferença entre colapsar em pânico ou administrar bem a situação quando a coisa realmente esquentar na arrebentação.

Boas ondas a todos.

 

 

 

 

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