30+ Onda #3 com Rodrigo Koxa

1) Qual o seu nome completo, data e local de nascimento?

Rodrigo Augusto do Espírito Santo. Dia 22 de setembro de 1979, em Jundiaí, São Paulo, radicado no Guarujá.

 

2) Qual foi a maior onda que você surfou na remada? Data, local e quais eram as condições?

Foi em Maverick´s, em novembro de 2008. O mar estava gigantesco, com ondas de 25 pés havaianos sólidos (mais de 15 metros de altura na face da onda). O mais difícil nesses dias é o posicionamento, por isso é uma guerra constante com o seu instinto de sobrevivência. Quando começam a entrar as séries, é necessário muito sangue frio e confiança nos seus instintos para não fugir remando para o outside. Várias vezes eu fujo das séries até me sentir conectado com uma situação para me jogar numa bomba. O legal é esperar esse momento com naturalidade. Lembro de escolher o meu posicionamento em uma onda que eu já tinha visto entrar e queria pegar. Escolhi a posição e fiquei esperando. Mais uma vez ela veio. Ela montou de um jeito que eu pensei que iria tomar na cabeça, mas ela deu uma segurada e eu percebi que na cabeça eu não a tomaria mais e que estava muito bem posicionado. Nessa hora parece que é a onda que nos escolhe. Bastou remar forte e dropar.

 

3) Qual foi a maior onda que você surfou de tow in? Data, local e quais eram as condições?

 

Foi em Punta Docas, no Chile, no dia 28 de agosto de 2010. Esta onda foi finalista do XXL 2011. Onda de 65 pés na face (quase 22 metros), cerca de 30 a 35 pés havaianos. Fiquei bastante calmo pela manhã, pois sabia que o pico do swell seria depois do almoço, junto com a maré seca. Quando a maré secou e o swell chegou de vez, as ondas estavam com tanta força que tivemos que sair do mar para colocar mais peso na prancha. Mudamos de 8 kg para 11 kg, o que deixou a prancha bem mais estável e pronta para a nova situação.

Antes do surfe, quando estávamos apenas analisando e estudando a onda de Punta Docas, identificamos um lugar bem mais fundo do mar, pelo qual poderíamos nos orientar quanto ao tamanho da série que estava por vir. Tratava-se de uma laje, onde as maiores ondas espumavam antes de quebrar em Punta Docas.

Na minha vez de surfar, quando eu estava posicionado na corda, a laje espumou de uma maneira inacreditável. Devido a essa constatação, sabíamos que aquela série era especial. Começamos então a nos posicionar para a primeira onda, que estava gigante, mas alguma coisa nos fez desistir. Nessa desistência, quando olhei para trás e vi a segunda da série, não precisei nem me comunicar com o Alemão (de Maresias). Nós sabíamos que aquela era a onda. Com muita experiência e uma técnica impecável, ele retomou a linha necessária para me botar naquela onda com o posicionamento correto para completá-la. Depois disso foi só alegria.

Ao chegar à areia e ver, pelo visor da câmera fotográfica do (Alexandre) Akiwas, as fotos daquela onda, perdi o chão. Minha alma saiu do corpo e um sentimento indescritível tomou conta de mim. Acredito ter sido um dos momentos mais mágicos da minha vida. A concretização de um sonho estava registrada.

Quanto ao XXL 2011,

OBRIGADO Senhor! Fiz parte de um sonho real que existe dentro de mim. A questão não é ser o melhor, mas o reconhecimento de um trabalho feito com muito amor. Não precisamos vencer nada para ser feliz nessa vida, basta saber que honramos nossos objetivos e somos dignos de nossos feitos.

 

A sociedade ocidental na qual vivemos valoriza e incentiva demais a competição. Desde criança somos ensinados na escola a competir com alguém ou contra nós mesmos. Existe a valorização das palavras “vencer” e “venceu”. Gostaria de dizer que me sinto tão vencedor simplesmente por ter sido abençoado por Deus. Acredito que onda grande é uma conexão do homem com a natureza e não uma competição. A onda que eu surfei em agosto de 2010 foi a maior vitória da minha vida e ficará guardada em minhas lembranças como uma onda presenteada por Deus.

Fiquei extremamente contente em participar da confraternização do XXL. Pude estar ao lado de inúmeros big riders que admiro desde a minha infância, fora do nosso ambiente natural, que é o mar. O título não veio dessa vez, mas o título passa e a minha missão de alma continua. Posso garantir que a minha motivação para participar de mais confraternizações como o XXL está turbinada. Espero apenas estar no meu caminho e ser um dos abençoados pelo universo novamente.

 

4) Qual foi a pior situação que você viveu no oceano? Quando, onde, quais eram as condições e o que aconteceu?

 

Foi uma vaca muito bizarra que tomei em Jaws. Foram três ondas na cabeça até sair pelas pedras. Fiquei doente, com sinusite, de tanta água que entrou na minha cabeça. Foi o maior swell da temporada retrasada havaiana, quando aconteceu o Eddie Aikau de 2009. Minha onda esticou muito e fechou toda a seção. Lembro de ter caído e ter sido jogado muito fundo, pois, mesmo com os dois coletes que eu estava usando, ficou tudo preto lá embaixo. Pensei que fosse ficar por duas ondas sob a água. Fiquei bem tranqüilo, estrategicamente, pois eu não podia desperdiçar minhas energias. Quando a onda me soltou, comecei a subir lentamente, o que parecia muito devagar na hora. Subi em cima da segunda onda, dei uma ligeira respirada e voltei para outro caldo. Não havia tempo para o resgate, pois eu estava desaparecido embaixo d’água. Depois tomei mais uma e sai pelas pedras. Ufa! Peguei minha prancha toda destruída nas pedras e pulei novamente no jet. Obrigado meus Anjos da Guarda!

5) Deseja acrescentar algo?

Minha principal estratégia de trabalho tem sido viajar para surfar os maiores swells do ano. Com o constante monitoramento pela internet, sei onde e quando as grandes ondulações vão acontecer com uma semana de antecedência. Isso vem me ajudado a estar presente em diversos swells durante o ano. Saber ler bem os mapas (forecast) é a melhor maneira para dar o tiro certo.

Obrigado pela oportunidade e um grande abraço aos leitores da Onda Mag.

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Uma resposta to “30+ Onda #3 com Rodrigo Koxa”

  1. Vitoria de Sa Says:

    THE BEST ,,MEU IDOLO,,FOREVER

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