Razão (editorial) Onda Magazine #3

Aloha, emoções humanas e a essência do surfe

“O surfe profissional percorreu um longo caminho desde 1976 e encontra-se agora na sua quarta década de existência. Hoje, os melhores surfistas ganham milhões de dólares com publicidade e levam 100 mil dólares pelo primeiro lugar em eventos da ASP, o que representa mais de três vezes o meu rendimento anual como campeão mundial naquele ano de 1976…”, escreveu Peter Townend, lenda viva do surfe e membro do conselho editorial da Onda Magazine, para a segunda edição da revista.

Como basicamente todas as progressões da vida, esta evolução do esporte traz implicações positivas e novos desafios. Os aspectos positivos são evidentes: melhores salários, mais infraestrutura, aceitação do esporte, que pode ser usado como base para inúmeros propósitos saudáveis, entre muitos outros. Mas quais são os novos desafios relacionados à expansão que o surfe sofreu como esporte nos últimos 40 anos?

Atualmente, observando os surfistas em geral, tenho a impressão que existe algo além do limite que pode ser entendido como uma disputa natural para pegar as melhores ondas. Acertar grandes movimentos, como aéreos e manobras com giro, por exemplo, e se destacar são, geralmente, orientações que nós (como grupo) seguimos muito mais do que seguimos o que dizem as ideias originais vinculadas ao surfe: o Espírito Aloha. Esse é o principal desafio. O surfe se profissionalizou e agora, muitas vezes, segue a premissa básica do mercado corporativo: o resultado é o mais importante. A performance é a coisa mais importante.

Segundo os havaianos, “Aloha significa afeição, amor, paz, compaixão e misericórdia”. Derivado da etimologia folclórica havaiana, o termo também remete às ideias de presença, face, compartilhar e ao Sopro da Vida (breath of life ou essence of life). Acredito que todo surfista sabe o que Aloha significa, mas a prática diária, seja com um lineup ou com as ruas lotadas de carros, é que oferece o grande desafio. Você cumprimenta os outros surfistas quando chega lá fora? Ou sai remando como louco para pegar a sua primeira onda? Esse é o principal desafio: coexistir em paz em um mundo cada vez mais lotado e competitivo. E o surfe pode nos ajudar com isso.

Com matérias que abordam a universalidade das emoções no surfe (todos sentimos as mesmas emoções básicas e a diferença encontra-se em como reagíamos a elas), a vida de um big rider que acredita que “a sociedade ocidental valoriza demais a competição”, a segunda parte da história que conta como o surfe profissional evoluiu nas últimas quatro décadas, da simplicidade e magia dos primórdios até os dias atuais, e muito mais, esta edição da Onda Magazine ressalta as emoções humanas e o Espírito Aloha antes dos resultados e competições.

Durante uma entrevista que fiz com o fotógrafo australiano Tim Mckenna, perguntei quem era o surfista preferido dele. Ele me disse: “Esse garoto que eu conheci era, aos meus olhos, o melhor surfista do mundo, não porque ele ganhou títulos mundiais ou surfou as maiores ondas, mas porque era a personificação de tudo o que o surfe representaQuem surfasse ou simplesmente estivesse ao lado dele era imediatamente cativado pelo amor que ele sentia pela vidaEle era capaz de comunicar a essência do surfe por meio da sua própria vidaUm oceano de risadas, respeito, inocência, amizade e generosidadeo símbolo de uma nova geração de atletas, tão puro ao ponto de ser capaz de mostrar emoções reaisnão unicamente as emoções de surfar ondas gigantes ou vencer competições, mas a simples emoção de amar o oceano e ser cúmplice de todos os seus segredos e belezas“, referindo-se ao surfista taitiano, Malik Joyeux.

Compartilhar com alegria a essência da vida é o que Aloha realmente traduz e esta é a melhor lição que o surfe pode ensinar: estar no mar (ou em qualquer lugar) com outros seres humanos é uma benção.

Aloha bro!

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2 Respostas to “Razão (editorial) Onda Magazine #3”

  1. castro pereira Says:

    Fala Cesar, só li o paragráfo do Tim Mckenna e gostei. Vou voltar e ler na integra, quanto ao magzine A ONDA ele é quebradeira total. Bom trabalho a equipe. Saúde a todos!

  2. Cesar Calejon Says:

    Valeu Castro,

    Grande abraço e obrigado pela atenção.

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