Malik e a lenda

Eu ouvi lendas sobre um guerreiro tão habilidoso, humilde, apaixonado pela vida e altruísta, no sentido de ter compaixão com os outros e o dom de saber dar a glória ao próximo, que simplesmente não poderiam ser verdade. Descobri que o taitiano Malik Joyeux era a origem desse mito. Infelizmente, eu não tive a chance de conhecê-lo, mas, pelo depoimento do fotógrafo Tim Mckenna (abaixo e publicado em uma matéria minha para a revista Go Outside) a lenda se justifica. Após sair ileso de uma das maiores ondas já surfadas em Teahupoo, durante a sua primeira queda de tow in no pico, em abril de 2003, ele simplesmente descreveu a situação e disse: “Uh, aquilo foi intenso….”

Tim McKenna sobre Malik Joyeux:

“A performance mais corajosa que eu já presenciei foi a do Malik encarando a maior onda que ele surfou, em Teahupoo, na primeira experiência dele de tow-in naquele pico. Nesse dia em Teahupoo, no Taiti, todos os surfistas estavam pegando os tubos mais incríveis de suas vidas, mas eles também sabiam que a tragédia poderia acontecer a qualquer momento, por isso muitos estavam felizes por simplesmente assistir sentados no canal. O Raimana (parceiro de tow-in de Malik) ofereceu uma última onda ao Malik… Alguns minutos depois, a maior bomba do dia entrou e o Raimana cuidadosamente posicionou o Malik no lugar certo. Ele gritou: ‘Espera, calma, calma. Ok, solta!’ e o Malik largou o cabo e se encaixou na base de uma onda que tinha uns dez metros de face, enquanto aquela coisa explodia ao redor dele. O spray do tubo quase o derrubou e o mandou direto para a escuridão, mas ele conseguiu permanecer em pé e chegar até a segurança do canal. Aos 23 anos de idade, Malik Joyeux tinha surfado talvez a onda mais poderosa de todos os tempos.

Esse garoto que eu conheci era, aos meus olhos, o melhor surfista do mundo. Não somente porque ganhou títulos mundiais ou surfou as maiores ondas, mas porque era a personificação de tudo o que o surf representa. Quem surfasse ou simplesmente estivesse ao seu lado era imediatamente cativado pelo amor que ele sentia pela vida. Ele era capaz de comunicar a essência do surf por meio da sua própria vida. Um oceano de risadas, respeito, inocência, amizade e generosidade, o símbolo de uma nova geração de atletas, tão puro a ponto de ser capaz de mostrar emoções reais. Não unicamente as emoções de surfar ondas gigantes ou vencer competições, mas a simples emoção de amar o oceano e ser cúmplice de todos os seus segredos e belezas“.

Malik Joyeux faleceu no dia 2 de dezembro de 2005, surfando a onda de Pipeline, no Havaí, mas o exemplo que ele deu ao mundo sobre como enfrentar os seus medos e amar todas as coisas permanecerá para sempre na alma dos surfistas.

YEAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH MALIK! ALOHA BRO!

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2 Respostas to “Malik e a lenda”

  1. De Says:

    Cesar,
    Sempre me impressionam essas histórias de amor pelo mar e pela prática do surf… Vai ver por que acredito que estejam tão longe de mim.
    Demais esse post. Faz a gente ter vontade de ter conhecido este menino.
    Gosto muito do seu blog – assino a news e sempre leio quando tem posts novos.
    Beijo grande.

  2. Tati Andimena Says:

    Um verdadeiro soul surfer, soul human, são esses tipos de conexões que fazem a vida ser maravilhosa e valer a pena ser vivida, existem milhões de pessoas anônimas e maravilhosas andando por aí, basta ter a vibe para fazer a conexão. Agora ele surfa nas nuvens e nas ondas do céu!!!

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