Diversão no Ibira!

janeiro 19, 2012

Rolezinho de solo e muita música! Valeu Andrew por gravar…

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A Universalidade das SURFemoções

novembro 11, 2011

Publicado em agosto de 2011 pela Onda Magazine:

Um dos principais pontos constantemente ressaltados pelo Dalai Lama, o líder espiritual do povo tibetano, é que os seres humanos, independentemente de nacionalidade, nível de instrução ou qualquer outro aspecto relacionado ao contexto no qual o individuo está inserido, são basicamente iguais. Isso quer dizer que sentimos as mesmas emoções elementares e a diferença estaria em como reagimos a elas. É a universalidade das emoções. Convidamos os surfistas Bruno Santos, Jessé Mendes e Kiron Jabour para testar a afirmação e entender porque somos tão diferentes apesar de sentirmos as mesmas emoções fundamentais.

Por exemplo, mostramos a foto número 2 aos atletas e pedimos que eles expressassem as suas emoções com relação à imagem usando apenas uma ou poucas palavras. Nesta ordem, Jessé, Kiron e Bruno responderam: “uhu, vamos logo pra água”, “eu quero” e “felicidade”.  Essa é a ideia do Dalai Lama: todos querem ser feliz e evitar a dor. Para os surfistas, um tubo cristalino e sem crowd é o sinônimo perfeito de felicidade.  Todos sentem assim. A neurocientista estadunidense, Cadence Pert, ressalta que “este é um comportamento (evitar a dor e buscar o prazer) verificado até em seres unicelulares. Ou seja, não é uma característica exclusiva dos seres humanos, mas uma propriedade natural do funcionamento da vida”.

O trabalho do pesquisador Paul Ekman, psicólogo estadunidense pioneiro no estudo das emoções e expressões faciais, parece realmente apontar nesta direção. Ekman realizou estudos culturais com tribos isoladas em muitos países ao longo dos anos, exibindo fotos de rostos humanos que demonstravam diferentes tipos de emoções para membros destas comunidades. Vale destacar que estes sequer o conheciam ou tinham realizado qualquer tipo de contato prévio com outros seres humanos que não os habitantes das suas próprias tribos. Ou seja, o fator cultural de outras comunidades não estava presente na equação.

Ekman descobriu que os membros das tribos, apesar do isolamento e da ausência do contexto cultural, eram perfeitamente capazes de reconhecer as emoções demonstradas nas faces. Após muitos anos de trabalho, o pesquisador concluiu que seis expressões emocionais são universais: felicidade, tristeza, raiva, medo, asco e surpresa.

As expressões faciais podem universalmente comunicar as emoções. O fato de diferentes culturas apresentarem formas semelhantes de expressão facial pode sugerir que estas manifestações sejam programadas geneticamente. Ao mesmo tempo, maneiras distintas de expressar emoção dentro de uma cultura sugerem que existem sim componentes que são aprendidos e totalmente referentes ao contexto cultural e a experiência particular de cada indivíduo.

Quando exibimos a foto número 4, Bruno Santos disse imediatamente “Déborah”, Jessé exclamou “que gostosa!” e Kiron perguntou “É pra mim?”. E quando mostramos a foto número 3, Bruno disse “acontece”, Jessé se sentiu “desesperado de medo dos pontos” e Kiron preferiu isolar com um “não, obrigado”. O que isso quer dizer? Que a gata da foto 4 é realmente linda! E que, apesar de todos sentirem essas seis emoções elementares, funcionamos estabelecendo associações para entender o mundo.

Quando você lê a palavra “tubo”, todo o seu processo cognitivo utiliza as referências que você de alguma forma assimilou durante a vida (tubos que você já pegou, tipos diferentes de tubos, tubos de PVC, tubos de esgoto, entre muitos outros) para estabelecer associações e compreender o termo. Muitas vezes, são essas associações que nos trazem os problemas.

O IAT Implicit Associantion Test (Teste de Associações Implícitas), da Universidade de Harvard, avalia as associações que estão atrás da porta fechada do inconsciente, e que ainda assim influenciam tanto o nosso comportamento (acesse ondamagazine.com para fazer o teste). A ideia é perceber como reagimos a situações espontâneas, quando não estamos sendo testados. Por exemplo, repare na forma como você reage no mar quando outro surfista te rabeia. Faz diferença quem este outro surfista é? Claro que sim. “Tudo depende da pessoa. Todo mundo é diferente e cada um reage da sua maneira quando rabeado”, responde Kiron. Como essa diferença associativa, que faz todo mundo parecer diferente, está organizada em você é o que o IAT demonstra.

Sabia, por exemplo, que a altura média do homem estadunidense é 1,75m e que, entre os CEOs masculinos das empresas que estão entre as 500 da Fortune (lista das maiores corporações dos EUA), esta média sobe para praticamente 1,85m? E daí? Você pode pensar duas coisas quando eu faço esta pergunta. A primeira: queria ser mais alto! Ou a segunda: por que esse grupo é 10cm mais alto do que o resto do país? Caso você tenha optado pela primeira, sem dúvida o IAT Implicit Association Test, da Universidade de Harvard, vai te assustar. Existe um modelo (alimentado principalmente por veículos de comunicação de massa) que reforça associações do tipo: alto é bom, baixo é ruim, magro é bom, gordo é ruim, entre outros milhões que implicitamente formam a nossa visão do mundo e geralmente nos levam ao consumismo.

As associações implícitas estão em todo lugar, inclusive no surfe. Mas a simples prática do surfe pode nos ajudar a destruir algumas associações que são nocivas para a sociedade e estão ultrapassadas. “Na água, mesmo com problemas de vez em quando, somos todos iguais. O simples fato de pegar umas ondinhas no final do dia depois do trabalho ajuda muito a relaxar”, afirma Bruno Santos.

Segundo Paul Ekman, durante uma reunião que o Dalai Lama teve com vários cientistas, ele os olhou e disse: “vocês não sabiam que são as religiões que dividem o mundo? O que realmente nos une são as emoções humanas, as nossas emoções, a compaixão por quem sequer conhecemos, que na sociedade tibetana, por exemplo, é uma norma, resultado de 800 anos praticando esta postura. Isso une o mundo”, conclui Ekman.

Exatamente por isso você geralmente grita amarradão quando vê alguém passando por dentro daquele tubo incrível, mesmo que seja um estranho. Porque naquele momento vocês se identificam, dividem a mesma emoção causada pelo oceano e se unem neste processo.

Dez Ilhas e a Morabeza

novembro 1, 2011

Existe um grupo de dez ilhas, localizado a Oeste da África e com área total de 4.033 km2, que oferece condições clássicas de surfe: dezenas de points com ondas que variam entre dois e 15 pés, água verde e azul, quente e com menos crowd do que o Lado Negro da Lua…


Ondas perfeitas e sem crowd são o sonho de praticamente todo surfista. Em um planeta abarrotado de gente, carros e surfistas, essa é uma missão constante na rotina de quem pega onda atualmente: fugir do “olha eu, olha eu…”. Mas como, em 2011, ainda encontrar ondas perfeitas que, pelo menos, não estão sendo constantemente surfadas? Como você encontra qualquer outra coisa na vida: procurando.

O meu caminho para encontrar ondas perfeitas e absolutamente vazias me levou para o meio do Oceano Atlântico, em um conjunto de dez ilhas e no país que fala o português e o crioulo. O crioulo é um idioma parecido com o nosso português, quase uma adaptação ou abreviação da nossa língua, mas cada ilha tem a sua própria variação do idioma. Em algumas dessas ilhas, que foram descobertas em 1460 e serviram de colônia para Portugal desde o século XV até a recente independência, em 1975, as pessoas são absolutamente inteligentes, amigáveis, receptivas e muitas nunca viram o surfe, sequer por revistas ou pela televisão.

Surfamos totalmente sozinhos durante os 35 dias da nossa estada. De vez em quando, os moradores e os amigos locais que fizemos vinham nos assistir surfando. Ficavam na praia, em cima das pedras e se protegendo do sol, observando com curiosidade e admiração cada onda surfada. Os pescadores também, nitidamente, passavam tão perto quanto podiam da arrebentação para nos olhar surfando dos seus barcos.

A população dessas ilhas é realmente muito carinhosa e gosta de receber, principalmente os brasileiros. Eles vivem sob a premissa do que chamam de “Morabeza”, que significa “Amor à bessa” em crioulo. Em algumas ilhas, você pode sair com dois bons pedaços de peixe e suco de manga para o jantar apenas porque pediu uma informação, por exemplo.

A posição estratégica das ilhas nas rotas que ligavam Portugal ao Brasil e ao resto da África contribuíram para o fato dessas serem inicialmente utilizadas como entreposto comercial. Abolido o tráfico de escravos, em 1876, o interesse comercial de Portugal pelas ilhas diminuiu, voltando a crescer somente a partir da segunda metade do século XX. No entanto, já tinham sido criadas as condições para que as dez ilhas se tornassem o que são hoje: europeus e africanos unidos em uma simbiose, criando um povo de características próprias. Um povo que vive a Morabeza, vive amando à bessa.

A economia das dez ilhas está organizada sobre a agricultura, a riqueza marinha do arquipélago e a prestação de serviços, que juntos correspondem a 80% do PIB da nação. Recentemente, o turismo vem ganhando relevância muito em virtude das ondas e dos ventos que sopram na região. Basicamente, os moradores de algumas das dez ilhas vivem uma cultura de subsistência, que na verdade poderia ser chamada de “cultura de existência”, considerando que eles se preocupam muito menos com o que estão ganhando e acumulando e muito mais com o que precisam cultivar e fazer para viver bem hoje. Esse modelo torna a competição entre as pessoas absurdamente menos agressiva e possibilita o surgimento de filosofias como a Morabeza.

Mesmo que você já tenha entendido de qual país estou falando, não espere encontrar o lugar certo no Wannasurf ou em outro site qualquer.  A combinação perfeita entre qual das dez ilhas, quando e onde pode ser particularmente difícil por causa dos ventos e direções de swell para cada bancada. Além disso, em algumas ilhas, as ondas quebram pequenas no trecho de mar que possui população residindo à beira, o que faz as pessoas daquela ilha afirmarem que as ondas são fracas na região. Oito quilômetros depois você encontra uma bancada escondida que produz ondas perfeitas com tubos que rodam por dezenas de metros.  Algumas das dez ilhas oferecem bancadas de pedra que funcionam o ano todo. Por estarem localizadas bem no meio do Atlântico, todas as ondulações, de Norte a Sul e as variações entre os opostos, acertam as ilhas e acendem as bancadas.

O povo das dez ilhas também é conhecido por sua musicalidade, bem expressa por manifestações populares, como o Carnaval de Mindelo, cuja importância faz com que a cidade seja conhecida como “Brazilim” (ou “pequeno Brasil”). Na música, existem diversos gêneros próprios, dos quais se destacam a Morna, o Funaná, a Coladeira e o Batuque.

No que diz respeito à gastronomia, a cachupa é o prato mais tradicional das ilhas. Elaborada com feijão e milho estufados, algumas vezes ela pode conter legumes, batata e banana cozida. A carne e o peixe podem também ser servidos separadamente, na mesma travessa dos legumes cozidos. Quando a cachupa é deixada para engrossar de um dia para o outro, é aquecida e refogada em uma frigideira, o prato resultante é conhecido como cachupa frita ou cachupa guisada. Todas as variações da cachupa são ótimas pedidas para encarar sessões prolongadas e solitárias de surfe. Muita energia!

Em todos os seus aspectos, a cultura das dez ilhas caracteriza-se por uma miscigenação de elementos. Não se trata de um somatório de culturas convivendo lado a lado, mas sim um terceiro produto, totalmente novo, resultante de um intercâmbio que começou há quinhentos anos. Para os surfistas, o ambiente não poderia ser mais favorável: calor, água quente, ondas perfeitas, crowd zero e amor à bessa. Viva as dez ilhas e a Morabeza!

30+ Onda #3 com Rodrigo Koxa

outubro 17, 2011

1) Qual o seu nome completo, data e local de nascimento?

Rodrigo Augusto do Espírito Santo. Dia 22 de setembro de 1979, em Jundiaí, São Paulo, radicado no Guarujá.

 

2) Qual foi a maior onda que você surfou na remada? Data, local e quais eram as condições?

Foi em Maverick´s, em novembro de 2008. O mar estava gigantesco, com ondas de 25 pés havaianos sólidos (mais de 15 metros de altura na face da onda). O mais difícil nesses dias é o posicionamento, por isso é uma guerra constante com o seu instinto de sobrevivência. Quando começam a entrar as séries, é necessário muito sangue frio e confiança nos seus instintos para não fugir remando para o outside. Várias vezes eu fujo das séries até me sentir conectado com uma situação para me jogar numa bomba. O legal é esperar esse momento com naturalidade. Lembro de escolher o meu posicionamento em uma onda que eu já tinha visto entrar e queria pegar. Escolhi a posição e fiquei esperando. Mais uma vez ela veio. Ela montou de um jeito que eu pensei que iria tomar na cabeça, mas ela deu uma segurada e eu percebi que na cabeça eu não a tomaria mais e que estava muito bem posicionado. Nessa hora parece que é a onda que nos escolhe. Bastou remar forte e dropar.

 

3) Qual foi a maior onda que você surfou de tow in? Data, local e quais eram as condições?

 

Foi em Punta Docas, no Chile, no dia 28 de agosto de 2010. Esta onda foi finalista do XXL 2011. Onda de 65 pés na face (quase 22 metros), cerca de 30 a 35 pés havaianos. Fiquei bastante calmo pela manhã, pois sabia que o pico do swell seria depois do almoço, junto com a maré seca. Quando a maré secou e o swell chegou de vez, as ondas estavam com tanta força que tivemos que sair do mar para colocar mais peso na prancha. Mudamos de 8 kg para 11 kg, o que deixou a prancha bem mais estável e pronta para a nova situação.

Antes do surfe, quando estávamos apenas analisando e estudando a onda de Punta Docas, identificamos um lugar bem mais fundo do mar, pelo qual poderíamos nos orientar quanto ao tamanho da série que estava por vir. Tratava-se de uma laje, onde as maiores ondas espumavam antes de quebrar em Punta Docas.

Na minha vez de surfar, quando eu estava posicionado na corda, a laje espumou de uma maneira inacreditável. Devido a essa constatação, sabíamos que aquela série era especial. Começamos então a nos posicionar para a primeira onda, que estava gigante, mas alguma coisa nos fez desistir. Nessa desistência, quando olhei para trás e vi a segunda da série, não precisei nem me comunicar com o Alemão (de Maresias). Nós sabíamos que aquela era a onda. Com muita experiência e uma técnica impecável, ele retomou a linha necessária para me botar naquela onda com o posicionamento correto para completá-la. Depois disso foi só alegria.

Ao chegar à areia e ver, pelo visor da câmera fotográfica do (Alexandre) Akiwas, as fotos daquela onda, perdi o chão. Minha alma saiu do corpo e um sentimento indescritível tomou conta de mim. Acredito ter sido um dos momentos mais mágicos da minha vida. A concretização de um sonho estava registrada.

Quanto ao XXL 2011,

OBRIGADO Senhor! Fiz parte de um sonho real que existe dentro de mim. A questão não é ser o melhor, mas o reconhecimento de um trabalho feito com muito amor. Não precisamos vencer nada para ser feliz nessa vida, basta saber que honramos nossos objetivos e somos dignos de nossos feitos.

 

A sociedade ocidental na qual vivemos valoriza e incentiva demais a competição. Desde criança somos ensinados na escola a competir com alguém ou contra nós mesmos. Existe a valorização das palavras “vencer” e “venceu”. Gostaria de dizer que me sinto tão vencedor simplesmente por ter sido abençoado por Deus. Acredito que onda grande é uma conexão do homem com a natureza e não uma competição. A onda que eu surfei em agosto de 2010 foi a maior vitória da minha vida e ficará guardada em minhas lembranças como uma onda presenteada por Deus.

Fiquei extremamente contente em participar da confraternização do XXL. Pude estar ao lado de inúmeros big riders que admiro desde a minha infância, fora do nosso ambiente natural, que é o mar. O título não veio dessa vez, mas o título passa e a minha missão de alma continua. Posso garantir que a minha motivação para participar de mais confraternizações como o XXL está turbinada. Espero apenas estar no meu caminho e ser um dos abençoados pelo universo novamente.

 

4) Qual foi a pior situação que você viveu no oceano? Quando, onde, quais eram as condições e o que aconteceu?

 

Foi uma vaca muito bizarra que tomei em Jaws. Foram três ondas na cabeça até sair pelas pedras. Fiquei doente, com sinusite, de tanta água que entrou na minha cabeça. Foi o maior swell da temporada retrasada havaiana, quando aconteceu o Eddie Aikau de 2009. Minha onda esticou muito e fechou toda a seção. Lembro de ter caído e ter sido jogado muito fundo, pois, mesmo com os dois coletes que eu estava usando, ficou tudo preto lá embaixo. Pensei que fosse ficar por duas ondas sob a água. Fiquei bem tranqüilo, estrategicamente, pois eu não podia desperdiçar minhas energias. Quando a onda me soltou, comecei a subir lentamente, o que parecia muito devagar na hora. Subi em cima da segunda onda, dei uma ligeira respirada e voltei para outro caldo. Não havia tempo para o resgate, pois eu estava desaparecido embaixo d’água. Depois tomei mais uma e sai pelas pedras. Ufa! Peguei minha prancha toda destruída nas pedras e pulei novamente no jet. Obrigado meus Anjos da Guarda!

5) Deseja acrescentar algo?

Minha principal estratégia de trabalho tem sido viajar para surfar os maiores swells do ano. Com o constante monitoramento pela internet, sei onde e quando as grandes ondulações vão acontecer com uma semana de antecedência. Isso vem me ajudado a estar presente em diversos swells durante o ano. Saber ler bem os mapas (forecast) é a melhor maneira para dar o tiro certo.

Obrigado pela oportunidade e um grande abraço aos leitores da Onda Mag.

Fôlego – Onda Magazine #3 POR CHRIS DEQUEKER

outubro 15, 2011

A respiração, a preparação física e o controle mental

Nas duas primeiras edições da Onda Magazine, a coluna Fôlego abordou os fundamentos da apneia e do sistema respiratório humano. Desta vez vamos explicar o método, os níveis, considerando a carga horária e a descrição de cada etapa do treinamento, e enfatizar o estágio EXTREMO, que reforça, além da parte física, a preparação mental.

O método, que é conhecido como Método de Simulação da Realidade (MSR), visa desenvolver a preparação física e mental dos surfistas, desde o iniciante até o profissional, para maximizar o desempenho e a eficácia dos resultados em competições, viagens internacionais ou somente naquele free surf nos fins de semana. Configurado semanalmente com base na análise da previsão das ondas, o conceito usa três pilares: SEGURANÇA, RENDIMENTO E ECONOMIA.

O treinamento utiliza exercícios físicos funcionais combinados com a apneia. São flexões de braço, agachamentos, corrida e muita remada para elevar a frequência cardíaca e administrá-la durante os períodos de imersão. Contudo, cada aspecto pode ser dosado. Portanto, pessoas comuns e saudáveis podem praticar sem qualquer restrição.

São quatro níveis:

Iniciante

Neste estágio, o praticante possui até 34 horas de instrução no treinamento. Geralmente, exercícios leves e moderados são combinados com percursos que cobrem entre 12 e 15 metros de imersão usando uma nadadeira adequada. Ideal para quem deseja surfar ondas com 2 metros de altura na face ou praticar corridas de 10 quilômetros, como também realizar traking em baixa altitude (3 mil metros), por exemplo.

Intermediário

Aqui o praticante possui entre 34 e 72 horas de instrução e o treinamento começa a usar exercícios mais pesados. A distância percorrida embaixo d’água varia entre 25 e 50 metros utilizando a nadadeira. Perfeito para quem deseja encarar ondas que variam entre 2 e 3 metros de altura na face, corridas de até 20 quilômetros, para mergulhadores técnicos (até 50 metros de profundidade) e traking no campo base do Aconcágua (cerca de 5 mil metros de altitude).

Avançado

Praticantes que possuem entre 72 e 150 horas de treino. Neste estágio, os exercícios físicos são intensos e o trajeto de imersão com a nadadeira geralmente varia entre 50 e 75 metros. Praticantes com este nível de experiência normalmente estão preparados para surfar ondas com até 4 metros de altura na face e corridas acima de 20 quilômetros, mas a essa altura a questão da preparação mental, que na verdade existe em todos os níveis, requer mais ênfase. Este nível prepara atletas que pretendem atacar cumes entre 5,5 mil e 7 mil metros e mergulhadores profissionais de pesca, por exemplo.

Extremo

Para atingir este estágio o praticante necessita de pelo menos 150 horas de instrução no treinamento. Esta fase usa exercícios físicos absolutamente rígidos e o percurso de imersão com a nadadeira ultrapassa os 75 metros. Ondas acima de 4 metros e maratonas com 42 quilômetros são as metas neste nível, por exemplo. Recomendado para surfistas, alpinistas experientes (cumes acima de 7 mil metros), ultramaratonistas, jogadores de futebol, lutadores de MMA e muitos outros esportistas que dependem do fôlego para sobreviver, este nível exige e trabalha fortemente a preparação mental do atleta. Experimentar o estresse e a acidez gerada pela oxidação celular no organismo e ser capaz de administrar a urgência de respirar por minutos requer muito trabalho, mas oferece incrementos fisiológicos e mentais incríveis.

DICAS

O que fazer:

Observe o padrão da sua respiração antes e durante as quedas. Existem padrões específicos para cada situação, como antes de entrar no mar, durante a remada, antes de furar a onda e para explodir na remada (veja o vídeo no site da Onda Magazine). Além da sua respiração, preste atenção ao seu humor e às reações fisiológicas do corpo enquanto se prepara para a sessão: frequência cardíaca, percepção de tempo, funcionamento dos sentidos, flexibilidade e articulações.

O que não fazer: 

Não entre no mar com a frequência cardíaca muito elevada (por exagero no aquecimento). Vários fatores, como a perfeição e o tamanho das ondas, podem aumentar muito os batimentos do coração e causar a debilidade precoce do organismo, o que pode ser percebido somente quando você já está no mar tentando varar as ondas. Acalme-se antes da sessão. Ainda que esta não seja uma tarefa fácil, ficar mais calmo na areia pode fazer a diferença entre colapsar em pânico ou administrar bem a situação quando a coisa realmente esquentar na arrebentação.

Boas ondas a todos.

 

 

 

 

Razão (editorial) Onda Magazine #3

setembro 29, 2011

Aloha, emoções humanas e a essência do surfe

“O surfe profissional percorreu um longo caminho desde 1976 e encontra-se agora na sua quarta década de existência. Hoje, os melhores surfistas ganham milhões de dólares com publicidade e levam 100 mil dólares pelo primeiro lugar em eventos da ASP, o que representa mais de três vezes o meu rendimento anual como campeão mundial naquele ano de 1976…”, escreveu Peter Townend, lenda viva do surfe e membro do conselho editorial da Onda Magazine, para a segunda edição da revista.

Como basicamente todas as progressões da vida, esta evolução do esporte traz implicações positivas e novos desafios. Os aspectos positivos são evidentes: melhores salários, mais infraestrutura, aceitação do esporte, que pode ser usado como base para inúmeros propósitos saudáveis, entre muitos outros. Mas quais são os novos desafios relacionados à expansão que o surfe sofreu como esporte nos últimos 40 anos?

Atualmente, observando os surfistas em geral, tenho a impressão que existe algo além do limite que pode ser entendido como uma disputa natural para pegar as melhores ondas. Acertar grandes movimentos, como aéreos e manobras com giro, por exemplo, e se destacar são, geralmente, orientações que nós (como grupo) seguimos muito mais do que seguimos o que dizem as ideias originais vinculadas ao surfe: o Espírito Aloha. Esse é o principal desafio. O surfe se profissionalizou e agora, muitas vezes, segue a premissa básica do mercado corporativo: o resultado é o mais importante. A performance é a coisa mais importante.

Segundo os havaianos, “Aloha significa afeição, amor, paz, compaixão e misericórdia”. Derivado da etimologia folclórica havaiana, o termo também remete às ideias de presença, face, compartilhar e ao Sopro da Vida (breath of life ou essence of life). Acredito que todo surfista sabe o que Aloha significa, mas a prática diária, seja com um lineup ou com as ruas lotadas de carros, é que oferece o grande desafio. Você cumprimenta os outros surfistas quando chega lá fora? Ou sai remando como louco para pegar a sua primeira onda? Esse é o principal desafio: coexistir em paz em um mundo cada vez mais lotado e competitivo. E o surfe pode nos ajudar com isso.

Com matérias que abordam a universalidade das emoções no surfe (todos sentimos as mesmas emoções básicas e a diferença encontra-se em como reagíamos a elas), a vida de um big rider que acredita que “a sociedade ocidental valoriza demais a competição”, a segunda parte da história que conta como o surfe profissional evoluiu nas últimas quatro décadas, da simplicidade e magia dos primórdios até os dias atuais, e muito mais, esta edição da Onda Magazine ressalta as emoções humanas e o Espírito Aloha antes dos resultados e competições.

Durante uma entrevista que fiz com o fotógrafo australiano Tim Mckenna, perguntei quem era o surfista preferido dele. Ele me disse: “Esse garoto que eu conheci era, aos meus olhos, o melhor surfista do mundo, não porque ele ganhou títulos mundiais ou surfou as maiores ondas, mas porque era a personificação de tudo o que o surfe representaQuem surfasse ou simplesmente estivesse ao lado dele era imediatamente cativado pelo amor que ele sentia pela vidaEle era capaz de comunicar a essência do surfe por meio da sua própria vidaUm oceano de risadas, respeito, inocência, amizade e generosidadeo símbolo de uma nova geração de atletas, tão puro ao ponto de ser capaz de mostrar emoções reaisnão unicamente as emoções de surfar ondas gigantes ou vencer competições, mas a simples emoção de amar o oceano e ser cúmplice de todos os seus segredos e belezas“, referindo-se ao surfista taitiano, Malik Joyeux.

Compartilhar com alegria a essência da vida é o que Aloha realmente traduz e esta é a melhor lição que o surfe pode ensinar: estar no mar (ou em qualquer lugar) com outros seres humanos é uma benção.

Aloha bro!

Onda Magazine #3

setembro 16, 2011

West Africa

setembro 14, 2011

35 dias de sonho, surfando ondas perfeitas….

com apenas dois amigos na água!

Obrigado Mãe Natureza pelos momentos de alegria e plenitude!

ONDA MAGAZINE #2

julho 8, 2011

Onda Magazine e as mídias sociais

maio 18, 2011

Sabe porque as empresas se preocupam tanto com as redes sociais hoje em dia? Porque elas oferecem um excelente retorno sobre determinado projeto, produto ou serviço. Os comentários são espontâneos e genuínos, ou seja, as pessoas dizem realmente o que pensam e sentem, ao contrário do que acontece com os “depoimentos” em campanhas publicitárias.

Neste contexto, estou muito feliz com os comentários que tenho visto sobre a proposta da Onda Magazine:

No Twitter:

…e no Facebook:

São dezenas de comentários todos os dias. Se “a voz do povo é a voz de Deus”, a primeira edição da Onda Magazine causou um ótimo impacto.


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